
A Polícia Civil cumpriu, na terça-feira (3), novos mandados de prisão e de busca e apreensão dentro das investigações sobre a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia. Entre os alvos está a ex-diretora da unidade, Joneuma Silva Neres, que já está presa e voltou a ter mandado formalizado no curso do inquérito.
A fuga ocorreu na noite de 12 de dezembro de 2024, quando cerca de oito homens armados invadiram o presídio, cortaram grades e atiraram contra guaritas, sustentando a ação do lado externo. Ao mesmo tempo, os detentos perfuravam o teto da cela 44, utilizando uma furadeira, e escaparam descendo por cordas em direção a uma área de mata nos fundos da unidade.
Durante a ofensiva, um cão de guarda foi morto e um fuzil calibre 5.56, de fabricação estrangeira e sem numeração aparente, foi abandonado no local. Dois carregadores com dezenas de munições intactas também foram apreendidos. A Secretaria de Administração Penitenciária informou que houve intensa troca de tiros entre invasores e agentes de plantão.

As investigações apontam que o principal objetivo da ação era resgatar Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como líder de uma facção criminosa com atuação regional, além de outros 15 internos ligados ao mesmo grupo. Todos cumpriam pena por crimes como tráfico de drogas, associação criminosa e homicídios qualificados.
Segundo o Ministério Público da Bahia, dias antes da fuga os detentos aliados foram colocados na mesma cela. Eles teriam aberto um buraco no teto ainda em novembro, e a ferramenta usada na perfuração chegou a ser apreendida, mas, conforme depoimento do ex-coordenador de segurança, permaneceu sob posse da então diretora por alguns dias antes de ser retirada da unidade.

Confira os nomes dos internos que fugiram do presídio:
Até o momento, apenas um foi recapturado e dois morreram em confrontos com a polícia. Os outros 13 seguem sendo procurados. Durante uma das fases recentes da operação, um suspeito reagiu à abordagem policial e conseguiu fugir após atirar contra os agentes. No imóvel, foram apreendidos drogas, dinheiro e anotações que agora integram o inquérito.
A apuração também inclui uma tentativa de homicídio registrada em maio de 2025 contra um motorista do presídio, que dirigia um veículo geralmente utilizado pela direção da unidade. A suspeita é de que o alvo real fosse o então gestor do conjunto penal. O ataque foi realizado por homens armados com fuzis, e o caso é tratado como possível desdobramento da fuga.

A ex-diretora foi presa cerca de um mês após o crime, suspeita de facilitar a ação criminosa e manter ligação com integrantes da facção. O Ministério Público sustenta que havia concessão de regalias a presos, como entrada irregular de objetos e flexibilização de visitas. As investigações continuam e novas medidas judiciais não estão descartadas.
